A função destas condições é deixar os modelos bem-postos. Para que um problema seja bem posto é necessário que a solução exista, seja única e dependa das condições iniciais e de contorno. É importante que essas condições sejam especificadas de forma correta para que o método numérico resulte em soluções fisicamente compatíveis com o problema. Estas condições são complementares, necessárias para a caracterização do problema e influenciam na solução do modelo. Para que uma equação diferencial possa ser resolvida numericamente ou analiticamente estas condições devem ser definidas. Os três principais tipos de condições de contorno são:
a) Condição de Dirichlet (1º tipo): o valor da função é especificado na fronteira do sistema, isto é, Φ = f(x,y). Exemplo: em situações de transferência de massa nas quais define-se uma dada concentração na fronteira: C(0,t)=Co.
b) Condição de Neumann (2º tipo): a derivada normal é especificada, isto é, (∂Φ/∂n) = g(x,y). Pode ser equivalente a um fluxo na fronteira. Exemplo: para um sistema de fronteira completamente isolada na posição ortogonal à x=0, o fluxo de massa na direção da coordenada x deverá ser igual à zero, de forma que: ∂CA/∂x (0,t) = 0.
c) Condição de Robbins (3º tipo): é uma condição mista das outras duas, na qual se tem: α(x,y) . Φ + β(x,y) . (∂Φ/∂n) = γ(x,y), com α(x,y)>0 e β(x,y)>0 e para (x,y) pertencente ao sistema. Exemplo: poderia ser equivalente à transferência de massa convectiva através de uma fronteira. Assumindo uma fronteira ortogonal à direção da coordenada x e que a transferência da massa é devido a diferenças entre as concentrações dentro dos sistemas na fronteira x = xM com CA (xM , t) e dada uma concentração externa fixa C* tem-se que: ∂CA/∂x (xM,t) =K.( C* - CA(xM,t)).